Le Quotidien d’Oran – Oran
“Citius, Altius, Fortius” (Mais rápido, mais alto, mais forte) não serve somente de inspiração para a delegação olímpica. Competidor invisível dos Jogos de Pequim, o serviço de inteligência chinês adota para si a divisa defendida pelo Barão de Coubertin [pedagogo e historiador francês que fundou o Comitê Olímpico Internacional].

Fonte: Le Quotidien d'Oran
Protegidos da mídia internacional, os “serviços” locais também tiveram sua “preparação olímpica”. Objetivo: assegurar os Jogos Olímpicos e impedir qualquer forma de contestação, anulando-a o mais cedo possível. Em um estado de alerta como eles [os agentes do serviço de inteligência] raramente estiveram desde a Grande Marcha de Mao, sua preocupação chega ao nível obsessivo devido à grandiosidade dos Jogos Olímpicos, que representam uma vitrine internacional e uma ferramenta de marketing que mostra uma “potência chinesa em desenvolvimento”.
“Para os organizadores, nada deve perturbar as cerimônias ou as competições”, lembra, resumindo o sentimento generalizado, Roger Faligot, jornalista francês autor da obra intitulada “Services secrets chinois. De Mao aux JO” – Serviços secretos chineses. De Mao aos JO. Além do risco terrorista, a inteligência chinesa quer evitar que os assuntos que causam aborrecimento “remontem à superfície, mas, ao invés disso, sejam ofuscados pelo desempenho dos atletas”.
Para as autoridades, são inúmeros os assuntos que incomodam. Estes vão desde o Tibete à liberdade de expressão e da repressão às dissidências à sufocação das minorias. A repercussão do evento exige; as Olimpíadas estão sob um nível de vigilância nunca antes visto. A China tramou sua rede de segurança e “aumentou” os níveis mínimos de segurança habitualmente exigidos dos países que sediam os jogos.
Uma cidade em estado de sítio
Entre policiais, militares, agentes secretos e “voluntários” reais ou camuflados, 400 mil pessoas “disputarão” a seu modo as provas olímpicas. Vasto, com nove milhões de km², o espaço aéreo chinês será submetido a uma vigilância aérea permanente. A “polícia da web” refinou suas técnicas a fim de marcar mais de perto os blogueiros teimosos.
Bem antes do início dos Jogos, Pequim garantiu à 29ª Olimpíada de verão um primeiro recorde: com aproximadamente 450 mil câmeras distribuídas por todas as partes, a cidade obteve o título de campeã do mundo em vídeovigilância.
Como ilustração do gigantismo do evento, os Jogos Olímpicos se propõem, mais que qualquer outro encontro planetário, a um excesso de segurança. Desde Munique em 1972 – onde atletas israelenses foram feitos reféns por seqüestradores palestinos –, a segurança se impôs na agenda e entre os requisitos olímpicos. Em tempos de Olimpíada, a cidade mais parece um território fortificado. Em Pequim, além dos 20 mil atletas, dois milhões de visitantes estrangeiros são esperados, em ondas sucessivas, de agora [o início dos Jogos] até o dia 24 de agosto. Sem contar a presença, no dia da cerimônia de abertura, de 90 chefes de Estado e de governo, entre os quais estavam a metade dos dirigentes do G8 e 160 ministros. Quatro milhões de pessoas “viverão” o evento pela televisão. Tantos motivos que inserem a capital em um regime não declarado de estado de sítio.
As ambições da inteligência chinesa vão além das questões relativas à segurança dos Jogos Olímpicos. Reconhecidos por seus pares ocidentais pela sua eficácia, os “serviços” chineses sonham com uma posição de liderança na competição mundial entre as “equipes das sombras”.
Se nada de grave vir a parasitar, de agora até o dia 24 de agosto, os Jogos de Pequim, espiões e agentes secretos do governo chinês poderão se gabar de um sucesso notável. “Independentemente dos resultados esportivos, a comunidade chinesa dos serviços secretos e da segurança terá vivenciado este evento como um teste sem precedentes, abrindo o caminho para progressos espetaculares”, estima Roger Faligot.
S. Raouf
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Dezembro 4, 2008 at 1:34 pm
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